MDI 3: Seminários sobre internet, mídia e jornalismo
Selecionei nove textos para fazermos nossos seminários da disciplina “Internet e mídia digital 3″. Acho que com o material abaixo podemos conseguir uma boa visão sobre as transformações na mídia (e na sociedade em geral) a partir da internet, onde tenho a audácia de incluir um capítulo da minha dissertação.
Todos os livros citados merecem a leitura completa de sua obra, e recomendo fortemente para aqueles estudantes de jornalismo que desejam entender um pouco das mudanças em curso na mídia e na sociedade. É claro que outros livros mereceriam estar nesta lista (como A Busca, de John Batelle, já indicado aos alunos), mas temos que restringir a seleção para algo que seja adequado à nossa realidade.
1. Castells: a era do informacionalismo, capítulo do livro Cultura de Rede, Por Cláudia Ferraz Castelo Branco e Luciano Matsuzaki (Orgs.)
2. Jenkins: a cultura da participação, capítulo do livro Cultura de Rede, Por Cláudia Ferraz Castelo Branco e Luciano Matsuzaki (Orgs.)
3. A Cauda Longa, de Chris Anderson.
Como a tecnologia está convertendo o mercado de massa em milhões de nichos. Páginas 14 – 24; 50 – 55.
4. A Cauda Longa, de Chris Anderson.
Democratização das ferramentas de produção. Pags. 60 – 76.
5. Por que a nova mídia é revolucionária, de Caio Túlio Costa.
6. Jornalismo digital: Dez anos de web… e a revolução continua
RC Alves – Comunicação e Sociedade, 2006.
7. Webjornalismo participativo ea produção aberta de notícias
A Primo, M Träsel – Contracampo (UFF), 2006.
8. O mito libertário do “jornalismo cidadão”
Sylvia Moretzsohn – Comunicação e Sociedade, vol. 9-10, 2006, pp. 63-81
9. O Desafio dos Jornais com a Internet, de Rogério S. Mosimann. (capítulo de dissertação de mestrado disponível on-line).
Como será nossa atividade acadêmica com estes textos:
Cada alunos deverá ler um dos nove textos acima. A distribuição dos textos será feita em sala, em primeira tentativa por consenso, e se não houver consenso, por sorteio. A apresentação para discussão em sala será feita em dupla, ou seja, dois alunos necessariamente lerão o mesmo texto (mas podem ler todos!).
Cada aluno apresentará oralmente em sala um seminário sobre o texto trabalhado, em conjunto com o colega que leu o mesmo texto, e entregará uma resenha (máximo 2 mil caracteres com espaços) sobre o texto lido até o dia 30/11.
Data dos seminários: 20/11 à 30/11.
Categorias:Aulas, Internet, Jornalismo on-line | Tags: artigos, Internet, jornalismo online, MDI 3, mídia, Referências, trabalhos | Comentários (2)Muito além do papel de um jornal
A nova campanha do jornal O Globo mostra de forma didática e bem sintética as transformações que os jornais estão passando. Confiram. Já faz tempo que jornal não é só aquilo que se compra nas bancas e depois de lido serve pra embrulhar peixe.
Categorias:Internet, Jornalismo on-line, Referências | Tags: globo, integração, jornalismo, mídia, vídeo | Comentário (1)Jornalismo e informação estruturada
Pedro Valente, colega jornalista, conversou por skype com alunos de pós-graduação do Cesusc. O tema é um dos mais importantes para ser discutido hoje quando pensamos o jornalismo on-line (e até off-line). E Pedro um dos raros jornalistas programadores, com uma visão muito bem fundamentada em experiência própria e referências “up to date“.
Ver os slides não é a mesma coisa que ouví-lo, mas dá pra fazer pensar (e pegar links ótimos).
Categorias:Jornalismo on-line | Tags: banco de dados, jornalismo, programação | ComenteConquiste a rede, blog!
Vamos usar como referência para começarmos a construir nossos blogs o livro “Conquiste a rede: blog“, de Ana Carmen Foschini, e Roberto Romano Taddei.
A coleção conquiste a rede tem ainda outros livros sobre Podcast, Flog & Vlog e Jornalismo Cidadão. Veremos estes mais tarde.
Categorias:Blogs, Jornalismo on-line | Tags: blog, creative commons, dicas, livro, Referências | Comentário (1)Jornalismo participativo
O jornalismo cívico em ascensão segue o princípio fundamental de que os leitores sabem mais que os jornalistas e intervêm imediatamente quando percebem algo de errado. E isso, diz Gillmor, ao contrário de ser uma ameaça, é uma oportunidade para os jornalistas. Estes deveriam aprender a pedir ao público comentários, histórias pessoais, fotos, vídeos; afinal, os leitores irão publicar isso na rede de qualquer forma.
O jornalista profissional continuará a existir e a fazer todo o sentido neste novo mundo do jornalismo cívico. A sua capacidade de dar forma a grandes debates de idéias, e de as analisar, será tão importante como a capacidade para recolher os fatos e os relatar. A diferença é que o público tem muito a contribuir e agora tem como fazê-lo. E isso, para Gillmor, pode significar um jornalismo melhor.
Para instigar o debate na aula de hoje, cito um trecho do artigo “O jornalismo do futuro já chegou” publicado por Daniela Bertocchi, em 10/5/2005, no Observatório da Imprensa.
Sem a pretensão de abranger todo o tema, que é amplo, polêmico e cheio de novidades todas as semanas, relaciono abaixo alguns textos e links para enriquecer nossa conversa:
EU Repórter – Globo
FotoRepórter – Estadão
NYT expandirá funções de jornalismo colaborativo em sua versão digital
Jornalismo cidadão vigia eleições nos EUA
Artigos acadêmicos
Webjornalismo participativo e a produção aberta de notícias, Alex Primo e Marcelo Träsel PDF (368 KB)
A reconfiguração do jornalismo através do modelo open source, Ana Maria Brambilla
Dissertação de Mestrado:
Jornalismo open source: discussão e experimentação do OhmyNews International, Ana Maria Brambilla
Os artigos acadêmicos e a dissertação são disponibilizados pelo LIMC – Laboratório de Interação Mediada por Computador – UFRGS, que mantem um blog muito interessante.
Você conhece uma experiência de jornalismo participativo? Tem um link interessante para a gente acessar? Comente e compartilhe com a gente!
Categorias:Aulas, Jornalismo on-line, Referências | ComenteAlguém quer uma bolsa para pesquisar sobre jornalismo e internet?
Recebi a notícia abaixo de Rose Angélica, via lista da SBPJor:
24/04/2006 – 14h04
UOL promove programa de incentivo à pesquisa sobre a Internet
Vai até 20 de maio o prazo de inscrição para a edição 2006 do UOL Bolsa
Pesquisa – programa que visa o desenvolvimento de pesquisa em áreas
relacionadas à Internet.
O programa financia pesquisas de doutorado (R$ 2.587,50/mês), mestrado (R$
1.552,50/mês) e graduação (R$ 587,50/mês). Os orientadores dos alunos
recebem incentivo de R$ 1.035,00 mais 15% do valor da bolsa de cada
estudante.
No site é possível encontrar os formulários, o regulamento para inscrição e
seleção e uma lista de alguns títulos de pesquisa que já tiveram o apoio do
UOL.
A edição 2005 apoiou 14 projetos: quatro de iniciação científica, seis de
mestrado e quatro de doutorado. Os trabalhos vieram do Amazonas, da Bahia,
do Ceará, de Minas Gerais, do Paraná, do Rio Grande do Sul, do Rio de
Janeiro e de São Paulo.
O objetivo do programa é contribuir para a inclusão digital brasileira e
para o crescimento global da Internet.
Outras informações podem ser obtidas no site do UOL Bolsa Pesquisa.
Categorias:Jornalismo on-line, Notícias | ComenteCaracterísticas do JOL
Em seus textos sobre redação jornalística para blogs, Castilho coloca algumas diferenças entre a redação para veículos impressos e os blogs.
Vamos aproveitar o momento para reforçar as principais características do jornalimos on-line, ou seja, as particularidades que diferenciam o jornalismo na internet do jornalismo com suporte em outras mídias. Lembrando que nem todas são usadas pelos veículos digitais atualmente. Alguns exploram determinadas características, como a perenidade, outros evidenciam aspectos como interatividade e multimídia.
As características relacionadas abaixo nos ajudam a entender o jornalismo on-line praticado atualmente e as possibilidades disponíveis para a criação de sites jornalísticos na internet.
Principais características do jornalismo on-line:
Mais informações no artigo “Entendendo o jornalismo online“, de José Antonio Meira da Rocha.
Categorias:Aulas, Jornalismo on-line | ComenteGoogle news disponível em versão brasileira
O google lançou oficialmente sua operação no Brasil com a versão brasileira do serviço de notícias google news. Além do sistema que busca notícias automaticamente em 200 fontes e organiza de acordo com os interesses do usuário, tem pesquisa de notícias no estilo yahoo.news, com resultados também em RSS e Atom feeds para monitoramento contínuo de uma busca . Mas logo google ou yahoo vão lançar essa funcionalidade para o Brasil, pode escrever (o UOL já oferece mas as fontes são restritas).
Pra quem ainda não viu, ali na coluna da direita desse blog inaugurei uma seção “dicas de leitura” (é o RSS minha gente!) onde tem um link para matéria do IDG Now sobre o google news. Um trechinho:
Categorias:Jornalismo on-line, Notícias, RSS | ComenteConforme explica o Google Brasil em sua página, a versão local do serviço coleta artigos de mais de 200 fontes internacionais de notícias em português e os organiza automaticamente para apresentar as notícias mais relevantes primeiro.
Ao escolher o assunto que lhe interessa pelo Google Notícias, o internauta é direcionado ao site da publicação original.
Inicialmente, o Google News brasileiro oferece os seguintes serviços: Notícias personalizadas, que permite a criação de uma página de notícias de acordo com as editorias de mais interesse; e Rastreamento do histórico da notícia, pelo qual o usuário pode rastrear a evolução de um tópico ou monitorar acontecimentos recentes clicando na opção “classificar por data” nos resultados de pesquisa.
Usabilidade em blogs
Sabe aquele texto em inglês do Jacob Nielsen sobre usabilidade em blogs que citei aqui? O mestre Castilho traduziu e comentou.
Categorias:Blogs, Internet, Jornalismo on-line, Referências | ComenteQue tipo de jornalista devemos formar?
Artigo muito interessante publicado originalmente no Comunique-se e encontrado por mim no site do Sindicato dos Jornalista de SC.
Categorias:Blogs, Educação, Jornalismo on-line, Referências | ComenteO XIS DA QUESTÃO – No mundo globalizado, marcado pelos impactos das tecnologias de difusão universal de informações, o velho modelo americano de jornalismo está radicalmente superado por novos e velozes paradigmas. Diante das profundas mudanças ocorridas, cresce a importância da seguinte pergunta, que um pesquisador peruano trouxe ao recente congresso da Intercom, realizado no Rio de Janeiro: “Estamos ensinando aos estudantes de jornalismo a maneira adequada de se adaptarem aos novos cenários?”
1. A falsa dicotomia
Cinco meses atrás, Roberto Civita, diretor-presidente da Editora Abril, visitou a Escola de Comunicações e Artes, da USP, para uma conversa com professores. Foi para falar, principalmente, sobre o curso de jornalismo. Com ou sem razão, a visita não despertou grande interesse. Mas a conversa valeu a pena, se não pelo todo, ao menos pelo começo. O dono da Abril iniciou a sua fala com uma provocação – mais ou menos assim: “Os alunos que vocês nos mandam hoje não servem para a Editora Abril. Eles podem até ter bom domínio técnico das coisas do jornalismo. Mas nós estamos mais interessados em gente capaz de pensar.”
Provocações à parte, e talvez sem que essa tenha sido a intenção, Roberto Civita trouxe à baila a velha e sempre inacabada discussão sobre as relações entre teoria e prática, no ensino do jornalismo.
Nas redações, continua forte a voz dos que reclamam dos cursos de jornalismo uma pedagogia que valorize a prática, voltada para o aprendizado das técnicas. Querem profissionais do “fazer”, e isso lhes basta. Reclamam que os recém-formados chegam ao mercado sem saber o que significam termos básicos do jargão profissional, ou tropeçando em coisas elementares como dar contundência e clareza a uma abertura de matéria, definir o verbo forte de um título ou construir fluências estilísticas em usos alternados do discurso direto e indireto.
De outro lado, na academia, e em segmentos críticos do jornalismo, há clamores crescentes reivindicando cursos voltados para a formação humanística, multidisciplinar, dos futuros jornalistas. Por essa visão, o jornalista terá de ser um profissional intelectualmente capaz de entender e interpretar as complexidades do mundo cujos fatos e feitos deve relatar ou comentar. Argumentam essas correntes: De que servem as habilidades técnicas, se as mentes não estão preparadas para captar as cada vez mais complicadas subjetividades escondidas na materialidade dos fatos?
No meio termo, surge e organiza-se uma proposta que defende uma formação prioritariamente técnica, mas agregando à proposta a sutileza semântica de atribuir à palavra “técnica” o significado de fusão entre teoria e prática. Os jornalistas seriam, portanto, tecnólogos preparados para o sucesso profissional, capazes de “fazer”, mas sabendo, também, os “porquês” e “para quês” do fazer . Pelo que posso entender, no domínio dos “porquês” e “para quês” estaria a dimensão teórica do modelo. Como sustentação da proposta, um argumento com força dramática: ou se investe na formação técnica do jornalista, ou estaremos diplomando profissionais para o desemprego, não para o trabalho – e com a frase cito o professor Jorge Pedro Souza, da Universidade Fernando Pessoa (Porto, Portugal), defensor desse modelo.
2. Velho paradigma
Claro que, sobre a questão, tenho pontos de vista próprios, elaborados ao longo escolhas e experiências pessoais, em quase cinqüenta anos de jornalismo, vividos nos arraiais da prática e do estudo. Mas não vem ao caso expor agora o que penso sobre o assunto. Porque considero mais importante abrir espaço para a discussão, a partir de uma reflexão que o pesquisador peruano Juan Gargurecich trouxe ao Congresso da Intercom, realizado no Rio de Janeiro entre os dias 6 e 9 deste mês.
Gargurevich participou da mesa (da qual eu e o professor Pedro Jorge também fizemos parte) em que se discutiam, exatamente, os desafios pedagógicos em torno da velha e falsa dicotomia Teoria x Prática. Como base para a reflexão e a discussão sobre o assunto, o colega peruano propôs um lúcido entendimento da mudança de paradigmas no jornalismo.
O paradigma do pós-guerra, inspirado no modelo norte-americano, fundamentou a concepção do jornalismo na América Latina. O paradigma assentava sobre um conjunto de “verdades” que, por quase um século, organizou idéias e crenças no ensino, na pesquisa e na prática do jornalismo. Eis algumas dessas “verdades”:– A informação tem alto valor como mercadoria, o que significa admitir que quanto melhores as notícias, maiores serão as vendas;
– A economia das empresas jornalísticas se baseia no êxito da circulação, na medida em que as tiragens condicionam a publicidade;
– As fontes de informação se restringem aos jornalistas, sem os quais não há notícia;
– Os modos formais e populares de a sociedade se informar são os jornais e os noticiários de rádio e televisão;
– Os espaços dedicados à informação jornalística são limitados em números de páginas, minutos de rádio e televisão;
– A informação chamada “alternativa” está limitada a círculos especializados e tem pouca credibilidade;
– Os jornalistas se reconhecem a si mesmos como atores sociais e, como tal, assumem a missão de vigiar e fiscalizar os governos;
– Os meios massivos, cuja propriedade está reservada a grandes empresas multimediáticas, têm distribuição e alcance local;
– O jornalismo sustenta que a liberdade de imprensa é pilar fundamental da democracia.Tudo isso mudou.
3. Novas “verdades”
No mundo atual, globalizado em redes informacionais, o “marco teórico” do modelo americano de jornalismo foi radicalmente superado por novos paradigmas, que a nossa própria experiência de profissionais e cidadãos já pode claramente identificar.
Juan Gargurecich listou algumas das mudanças mais importantes ocorridas:
– A informação de qualquer país pode obter-se a custo mínimo e em tempo real;
– Os espaços virtuais para a informação quase não têm limites;
– As mini-empresas informativas podem ser tão eficazes quanto as grandes empresas de antigamente;
– Os meios são internacionais e não reconhecem os velhos limites impostos pelos regulamentos das Nações Unidas;
– Na maioria, as fontes governamentais estão abertas ao público em geral;
– Os “weblogs” tornam possível e popularizam o “cidadão jornalista”;
– Os telefones móveis (celulares) avançam para converter-se em suportes inéditos de informação.Acrescento a essa listagem uma mudança profunda no plano ético: o direito à informação, prerrogativa do cidadão, superou, como valor e direito democrático, os limites do conceito de liberdade de imprensa, princípio liberal que legitimava, também, o poder de “não publicar”.
Diante de tão profundas mudanças, Gargurevich provocou a platéia com uma pergunta tão simples quanto inquietante: Estamos nós ensinando aos estudantes de jornalismo a maneira adequada de adaptar-se aos novos cenários?
A questão aí fica, para o debate.
Carlos Chaparro – Artigo publicado originalmente na coluna que o autor mantém no site Comunique-se, em 16/set/2005










