MDI 3: Seminários sobre internet, mídia e jornalismo

13/04/2010

Selecionei nove textos para fazermos nossos seminários da disciplina “Internet e mídia digital 3″. Acho que com o material abaixo podemos conseguir uma boa visão sobre as transformações na mídia (e na sociedade em geral) a partir da internet, onde tenho a audácia de incluir um capítulo da minha dissertação.

Todos os livros citados merecem a leitura completa de sua obra, e recomendo fortemente para aqueles estudantes de jornalismo que desejam entender um pouco das mudanças em curso na mídia e na sociedade. É claro que outros livros mereceriam estar nesta lista (como A Busca, de John Batelle, já indicado aos alunos), mas temos que restringir a seleção para algo que seja adequado à nossa realidade.

1. Castells: a era do informacionalismo, capítulo do livro Cultura de Rede, Por Cláudia Ferraz Castelo Branco e Luciano Matsuzaki (Orgs.)

2. Jenkins: a cultura da participação, capítulo do livro Cultura de Rede, Por Cláudia Ferraz Castelo Branco e Luciano Matsuzaki (Orgs.)

3. A Cauda Longa, de Chris Anderson.
Como a tecnologia está convertendo o mercado de massa em milhões de nichos. Páginas 14 – 24; 50 – 55.

4. A Cauda Longa, de Chris Anderson.
Democratização das ferramentas de produção. Pags. 60 – 76.

5. Por que a nova mídia é revolucionária, de Caio Túlio Costa.

6. Jornalismo digital: Dez anos de web… e a revolução continua
RC Alves – Comunicação e Sociedade, 2006.

7. Webjornalismo participativo ea produção aberta de notícias
A Primo, M Träsel – Contracampo (UFF), 2006.

8. O mito libertário do “jornalismo cidadão”
Sylvia Moretzsohn – Comunicação e Sociedade, vol. 9-10, 2006, pp. 63-81

9. O Desafio dos Jornais com a Internet, de Rogério S. Mosimann. (capítulo de dissertação de mestrado disponível on-line).

Como será nossa atividade acadêmica com estes textos:

Cada alunos deverá ler um dos nove textos acima. A distribuição dos textos será feita em sala, em primeira tentativa por consenso, e se não houver consenso, por sorteio. A apresentação para discussão em sala será feita em dupla, ou seja, dois alunos necessariamente lerão o mesmo texto (mas podem ler todos!).

Cada aluno apresentará oralmente em sala um seminário sobre o texto trabalhado, em conjunto com o colega que leu o mesmo texto, e entregará uma resenha (máximo 2 mil caracteres com espaços) sobre o texto lido até o dia 30/11.

Data dos seminários: 20/11 à 30/11.

Conquiste a rede, blog!

11/03/2010

Vamos usar como referência para começarmos a construir nossos blogs o livro “Conquiste a rede: blog“, de Ana Carmen Foschini, e Roberto Romano Taddei.

A coleção conquiste a rede tem ainda outros livros sobre Podcast, Flog & Vlog e Jornalismo Cidadão. Veremos estes mais tarde.

Muito além do papel de um jornal

24/09/2008

A nova campanha do jornal O Globo mostra de forma didática e bem sintética as transformações que os jornais estão passando. Confiram. Já faz tempo que jornal não é só aquilo que se compra nas bancas e depois de lido serve pra embrulhar peixe.

Jornalismo e informação estruturada

16/05/2008

Pedro Valente, colega jornalista, conversou por skype com alunos de pós-graduação do Cesusc. O tema é um dos mais importantes para ser discutido hoje quando pensamos o jornalismo on-line (e até off-line). E Pedro um dos raros jornalistas programadores, com uma visão muito bem fundamentada em experiência própria e referências “up to date“.

Ver os slides não é a mesma coisa que ouví-lo, mas dá pra fazer pensar (e pegar links ótimos).

Jornalismo participativo

13/11/2006

O jornalismo cívico em ascensão segue o princípio fundamental de que os leitores sabem mais que os jornalistas e intervêm imediatamente quando percebem algo de errado. E isso, diz Gillmor, ao contrário de ser uma ameaça, é uma oportunidade para os jornalistas. Estes deveriam aprender a pedir ao público comentários, histórias pessoais, fotos, vídeos; afinal, os leitores irão publicar isso na rede de qualquer forma.

O jornalista profissional continuará a existir e a fazer todo o sentido neste novo mundo do jornalismo cívico. A sua capacidade de dar forma a grandes debates de idéias, e de as analisar, será tão importante como a capacidade para recolher os fatos e os relatar. A diferença é que o público tem muito a contribuir e agora tem como fazê-lo. E isso, para Gillmor, pode significar um jornalismo melhor.

Para instigar o debate na aula de hoje, cito um trecho do artigo “O jornalismo do futuro já chegou” publicado por Daniela Bertocchi, em 10/5/2005, no Observatório da Imprensa.

Sem a pretensão de abranger todo o tema, que é amplo, polêmico e cheio de novidades todas as semanas, relaciono abaixo alguns textos e links para enriquecer nossa conversa:

Brasil Wiki

EU Repórter – Globo

FotoRepórter – Estadão

NYT expandirá funções de jornalismo colaborativo em sua versão digital

Jornalismo cidadão vigia eleições nos EUA


Wiki News

OhmyNews International

Artigos acadêmicos

Webjornalismo participativo e a produção aberta de notícias, Alex Primo e Marcelo Träsel PDF (368 KB)

A reconfiguração do jornalismo através do modelo open source, Ana Maria Brambilla

Dissertação de Mestrado:

Jornalismo open source: discussão e experimentação do OhmyNews International, Ana Maria Brambilla

Os artigos acadêmicos e a dissertação são disponibilizados pelo LIMC – Laboratório de Interação Mediada por Computador – UFRGS, que mantem um blog muito interessante.

Você conhece uma experiência de jornalismo participativo? Tem um link interessante para a gente acessar? Comente e compartilhe com a gente!

Alguém quer uma bolsa para pesquisar sobre jornalismo e internet?

25/04/2006

Recebi a notícia abaixo de Rose Angélica, via lista da SBPJor:

24/04/2006 – 14h04
UOL promove programa de incentivo à pesquisa sobre a Internet

Vai até 20 de maio o prazo de inscrição para a edição 2006 do UOL Bolsa
Pesquisa – programa que visa o desenvolvimento de pesquisa em áreas
relacionadas à Internet.

O programa financia pesquisas de doutorado (R$ 2.587,50/mês), mestrado (R$
1.552,50/mês) e graduação (R$ 587,50/mês). Os orientadores dos alunos
recebem incentivo de R$ 1.035,00 mais 15% do valor da bolsa de cada
estudante.

No site é possível encontrar os formulários, o regulamento para inscrição e
seleção e uma lista de alguns títulos de pesquisa que já tiveram o apoio do
UOL.

A edição 2005 apoiou 14 projetos: quatro de iniciação científica, seis de
mestrado e quatro de doutorado. Os trabalhos vieram do Amazonas, da Bahia,
do Ceará, de Minas Gerais, do Paraná, do Rio Grande do Sul, do Rio de
Janeiro e de São Paulo.

O objetivo do programa é contribuir para a inclusão digital brasileira e
para o crescimento global da Internet.

Outras informações podem ser obtidas no site do UOL Bolsa Pesquisa.

Características do JOL

17/03/2006

Em seus textos sobre redação jornalística para blogs, Castilho coloca algumas diferenças entre a redação para veículos impressos e os blogs.

Vamos aproveitar o momento para reforçar as principais características do jornalimos on-line, ou seja, as particularidades que diferenciam o jornalismo na internet do jornalismo com suporte em outras mídias. Lembrando que nem todas são usadas pelos veículos digitais atualmente. Alguns exploram determinadas características, como a perenidade, outros evidenciam aspectos como interatividade e multimídia.

As características relacionadas abaixo nos ajudam a entender o jornalismo on-line praticado atualmente e as possibilidades disponíveis para a criação de sites jornalísticos na internet.

Principais características do jornalismo on-line:

  • Instantaneidade;
  • Interatividade;
  • Perenidade (memória, capacidade de armazenamento de informação);
  • Multimídia;
  • Hipertexto;
  • Personalização de conteúdo, customização;
  • Não-linearidade.
  • Mais informações no artigo “Entendendo o jornalismo online“, de José Antonio Meira da Rocha.

    Google news disponível em versão brasileira

    17/11/2005

    O google lançou oficialmente sua operação no Brasil com a versão brasileira do serviço de notícias google news. Além do sistema que busca notícias automaticamente em 200 fontes e organiza de acordo com os interesses do usuário, tem pesquisa de notícias no estilo yahoo.news, com resultados também em RSS e Atom feeds para monitoramento contínuo de uma busca . Mas logo google ou yahoo vão lançar essa funcionalidade para o Brasil, pode escrever (o UOL já oferece mas as fontes são restritas).

    Pra quem ainda não viu, ali na coluna da direita desse blog inaugurei uma seção “dicas de leitura” (é o RSS minha gente!) onde tem um link para matéria do IDG Now sobre o google news. Um trechinho:

    Conforme explica o Google Brasil em sua página, a versão local do serviço coleta artigos de mais de 200 fontes internacionais de notícias em português e os organiza automaticamente para apresentar as notícias mais relevantes primeiro.

    Ao escolher o assunto que lhe interessa pelo Google Notícias, o internauta é direcionado ao site da publicação original.

    Inicialmente, o Google News brasileiro oferece os seguintes serviços: Notícias personalizadas, que permite a criação de uma página de notícias de acordo com as editorias de mais interesse; e Rastreamento do histórico da notícia, pelo qual o usuário pode rastrear a evolução de um tópico ou monitorar acontecimentos recentes clicando na opção “classificar por data” nos resultados de pesquisa.

    Usabilidade em blogs

    09/11/2005

    Sabe aquele texto em inglês do Jacob Nielsen sobre usabilidade em blogs que citei aqui? O mestre Castilho traduziu e comentou.

    Que tipo de jornalista devemos formar?

    19/10/2005

    Artigo muito interessante publicado originalmente no Comunique-se e encontrado por mim no site do Sindicato dos Jornalista de SC.

    O XIS DA QUESTÃO – No mundo globalizado, marcado pelos impactos das tecnologias de difusão universal de informações, o velho modelo americano de jornalismo está radicalmente superado por novos e velozes paradigmas. Diante das profundas mudanças ocorridas, cresce a importância da seguinte pergunta, que um pesquisador peruano trouxe ao recente congresso da Intercom, realizado no Rio de Janeiro: “Estamos ensinando aos estudantes de jornalismo a maneira adequada de se adaptarem aos novos cenários?”

    1. A falsa dicotomia

    Cinco meses atrás, Roberto Civita, diretor-presidente da Editora Abril, visitou a Escola de Comunicações e Artes, da USP, para uma conversa com professores. Foi para falar, principalmente, sobre o curso de jornalismo. Com ou sem razão, a visita não despertou grande interesse. Mas a conversa valeu a pena, se não pelo todo, ao menos pelo começo. O dono da Abril iniciou a sua fala com uma provocação – mais ou menos assim: “Os alunos que vocês nos mandam hoje não servem para a Editora Abril. Eles podem até ter bom domínio técnico das coisas do jornalismo. Mas nós estamos mais interessados em gente capaz de pensar.”

    Provocações à parte, e talvez sem que essa tenha sido a intenção, Roberto Civita trouxe à baila a velha e sempre inacabada discussão sobre as relações entre teoria e prática, no ensino do jornalismo.

    Nas redações, continua forte a voz dos que reclamam dos cursos de jornalismo uma pedagogia que valorize a prática, voltada para o aprendizado das técnicas. Querem profissionais do “fazer”, e isso lhes basta. Reclamam que os recém-formados chegam ao mercado sem saber o que significam termos básicos do jargão profissional, ou tropeçando em coisas elementares como dar contundência e clareza a uma abertura de matéria, definir o verbo forte de um título ou construir fluências estilísticas em usos alternados do discurso direto e indireto.

    De outro lado, na academia, e em segmentos críticos do jornalismo, há clamores crescentes reivindicando cursos voltados para a formação humanística, multidisciplinar, dos futuros jornalistas. Por essa visão, o jornalista terá de ser um profissional intelectualmente capaz de entender e interpretar as complexidades do mundo cujos fatos e feitos deve relatar ou comentar. Argumentam essas correntes: De que servem as habilidades técnicas, se as mentes não estão preparadas para captar as cada vez mais complicadas subjetividades escondidas na materialidade dos fatos?

    No meio termo, surge e organiza-se uma proposta que defende uma formação prioritariamente técnica, mas agregando à proposta a sutileza semântica de atribuir à palavra “técnica” o significado de fusão entre teoria e prática. Os jornalistas seriam, portanto, tecnólogos preparados para o sucesso profissional, capazes de “fazer”, mas sabendo, também, os “porquês” e “para quês” do fazer . Pelo que posso entender, no domínio dos “porquês” e “para quês” estaria a dimensão teórica do modelo. Como sustentação da proposta, um argumento com força dramática: ou se investe na formação técnica do jornalista, ou estaremos diplomando profissionais para o desemprego, não para o trabalho – e com a frase cito o professor Jorge Pedro Souza, da Universidade Fernando Pessoa (Porto, Portugal), defensor desse modelo.

    2. Velho paradigma

    Claro que, sobre a questão, tenho pontos de vista próprios, elaborados ao longo escolhas e experiências pessoais, em quase cinqüenta anos de jornalismo, vividos nos arraiais da prática e do estudo. Mas não vem ao caso expor agora o que penso sobre o assunto. Porque considero mais importante abrir espaço para a discussão, a partir de uma reflexão que o pesquisador peruano Juan Gargurecich trouxe ao Congresso da Intercom, realizado no Rio de Janeiro entre os dias 6 e 9 deste mês.

    Gargurevich participou da mesa (da qual eu e o professor Pedro Jorge também fizemos parte) em que se discutiam, exatamente, os desafios pedagógicos em torno da velha e falsa dicotomia Teoria x Prática. Como base para a reflexão e a discussão sobre o assunto, o colega peruano propôs um lúcido entendimento da mudança de paradigmas no jornalismo.
    O paradigma do pós-guerra, inspirado no modelo norte-americano, fundamentou a concepção do jornalismo na América Latina. O paradigma assentava sobre um conjunto de “verdades” que, por quase um século, organizou idéias e crenças no ensino, na pesquisa e na prática do jornalismo. Eis algumas dessas “verdades”:

    – A informação tem alto valor como mercadoria, o que significa admitir que quanto melhores as notícias, maiores serão as vendas;
    – A economia das empresas jornalísticas se baseia no êxito da circulação, na medida em que as tiragens condicionam a publicidade;
    – As fontes de informação se restringem aos jornalistas, sem os quais não há notícia;
    – Os modos formais e populares de a sociedade se informar são os jornais e os noticiários de rádio e televisão;
    – Os espaços dedicados à informação jornalística são limitados em números de páginas, minutos de rádio e televisão;
    – A informação chamada “alternativa” está limitada a círculos especializados e tem pouca credibilidade;
    – Os jornalistas se reconhecem a si mesmos como atores sociais e, como tal, assumem a missão de vigiar e fiscalizar os governos;
    – Os meios massivos, cuja propriedade está reservada a grandes empresas multimediáticas, têm distribuição e alcance local;
    – O jornalismo sustenta que a liberdade de imprensa é pilar fundamental da democracia.

    Tudo isso mudou.

    3. Novas “verdades”

    No mundo atual, globalizado em redes informacionais, o “marco teórico” do modelo americano de jornalismo foi radicalmente superado por novos paradigmas, que a nossa própria experiência de profissionais e cidadãos já pode claramente identificar.

    Juan Gargurecich listou algumas das mudanças mais importantes ocorridas:

    – A informação de qualquer país pode obter-se a custo mínimo e em tempo real;
    – Os espaços virtuais para a informação quase não têm limites;
    – As mini-empresas informativas podem ser tão eficazes quanto as grandes empresas de antigamente;
    – Os meios são internacionais e não reconhecem os velhos limites impostos pelos regulamentos das Nações Unidas;
    – Na maioria, as fontes governamentais estão abertas ao público em geral;
    Os “weblogs” tornam possível e popularizam o “cidadão jornalista”;
    – Os telefones móveis (celulares) avançam para converter-se em suportes inéditos de informação.

    Acrescento a essa listagem uma mudança profunda no plano ético: o direito à informação, prerrogativa do cidadão, superou, como valor e direito democrático, os limites do conceito de liberdade de imprensa, princípio liberal que legitimava, também, o poder de “não publicar”.

    Diante de tão profundas mudanças, Gargurevich provocou a platéia com uma pergunta tão simples quanto inquietante: Estamos nós ensinando aos estudantes de jornalismo a maneira adequada de adaptar-se aos novos cenários?

    A questão aí fica, para o debate.

    Carlos Chaparro – Artigo publicado originalmente na coluna que o autor mantém no site Comunique-se, em 16/set/2005