Blogs Corporativos

março 8th, 2007

por Por Abel Reis, da Gazeta Mercantil · 29/9/2005

Empresas são redes sociais. Esse é o ponto zero. O resto vem depois. Marcas são signos na mente das pessoas, que resultam em muito da propagação de idéias, opiniões e desejos através de redes de pessoas. Se não, como explicar o famoso “efeito viral”? Produtos são objetos nas prateleiras de lojas e de casas, mas também são resultado de interações complexas entre redes de fornecedores. Se não, por que falaríamos de “cadeias de valor”?

Empresas sempre foram assim. Décadas atrás, essas redes eram bem rígidas, hierárquicas (VPs de diretores de gerentes de chefes de…). Hoje, as redes sociais nas empresas tendem a ser menos hierárquicas e mais distribuídas no espaço e no tempo (pense no email). Além disso, essas redes cruzam empresas criando redes de redes… E é por essas redes que trafegam as informações e o conhecimento que movem as empresas (para frente e às vezes para trás). Tudo isso trouxe novos desafios: segurança da informação, gestão de pessoas, gestão de conhecimento são alguns deles. Interessa-nos aqui o último desses pontos: a gestão de conhecimento.

Conhecimento é um ativo das empresas que deve estar a serviço da sua eficiência organizacional, da geração de valor para acionistas, e da qualidade final para clientes. Este assunto sempre pareceu “difícil”. Eis então que surgem os blogs. Sim, acredite, os blogs. Blogs são web sites relativamente padronizados cujo desenvolvimento não requer habilidades técnicas de programação de software. Blogs permitem que usuários leigos publiquem conteúdos diversificados (textos, fotos, áudios), e que outros usuários, visitantes do blog, agreguem comentários pessoais de forma rápida, simples e padronizada. Assim, todos se tornam, potencialmente, autores e publishers – basta um bom assunto na cabeça e um editor de blogs na mão.

Mas, o que gestão de conhecimento nas empresas tem a ver com blogs? Muito. Isto porque empresas vêm descobrindo que a simplicidade – tipo “ovo de colombo” – dos blogs, pode ser colocada a serviço da produção, captura, organização e disseminação de informações e conhecimentos. O ponto é oferecer nas redes internas (intranets) recursos de blog pelos quais cada funcionário, departamentos ou filiais tornam-se publishers. O blog corporativo é, particularmente, muito adequado para armazenar e difundir conteúdos poucos amenos ao tratamento formal por sistemas estruturados (é o caso dos textos). E, na prática, o formato pelo qual conhecimento e informação relevantes circulam nas redes sociais das empresas é frequentemente informal. Há aqui muitas aplicações: como ferramenta de RH, de relações com o mercado, de colaboração em projetos de grande porte, e por aí vai. Exemplo? A IBM que declara ter hoje mais de 3.600 blogs internos mantidos por seus colaboradores. Grandes marcas também descobriram que blogs podem ser muito úteis, graças à sua simplicidade e agilidade, na comunicação com seus consumidores e outros públicos externos à empresa. Não se trata aqui de fazer do blog um SAC. Blogs corporativos são nesse caso um meio natural e prático de influenciar clientes, mas também de ouvi-los, identificando preferências e expectativas. Exemplo? A Procter&Gamble que mantém o sparklebodyspray.com para interagir e influenciar consumidores adolescentes de uma marca de desodorantes.

Para encerrar, um alerta: blogs não são plataformas para desenvolver sistemas ou portais de internet ou portais corporativos. Não queira usá-los para formar complexos e robustos banco de dados ou repositórios indexados de documentos ou algo nessa linha. Para isso há outras ferramentas e tecnologias bem mais adequadas. Pense nos blogs como ferramentas simples, ágeis, rápidas de implantar, e que funcionam como catalisadores para a “química das redes sociais”, na sua vida ou na sua empresa.

Matéria publicada no jornal Gazeta Mercantil na edição de 29 de setembro de 2005. Capturada da web no site da Agência Click


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