Emissoras de TV e operadoras testam parceria em celular
Janeiro, sol, e eu aqui pensando em “convergência”. Vejam só:
test Filed under Convergência, NotÃcias | Comment (0)Eliane Sobral De São Paulo – Valor Econômico, 06/01/2006
Quando as operadoras de telefonia celular começaram a oferecer boletins noticiosos, previsão do tempo e informações sobre o trânsito via telefone móvel, as emissoras de televisão suspeitaram que estava nascendo um perigoso concorrente. Passado esse primeiro momento, os dois lados se aproximaram e começaram a trabalhar em conjunto e hoje tentam desenhar um novo modelo de negócio com a oferta de conteúdo, vÃdeos e até programas inteiros ao vivo, via telefone móvel.
“Estamos em fase de teste. É algo completamente novo tanto para nós, quanto para as operadoras e para o próprio cliente”, diz o diretor de marketing da Globo.com, Frederico Monteiro, que integra o grupo de estudos formado há cerca de um ano por executivos de todas as empresas das Organizações Globo com o objetivo de estudar as possibilidades de oferta de conteúdo para o celular.
E a fase é mesmo de testes. Dos 82,2 milhões de telefones celulares habilitados no Brasil (dados de novembro), o número de aparelhos com tecnologia para recepção de vÃdeos e programas em tempo real ainda é pequeno – algo próximo a 2 milhões de aparelhos – e não há sequer muitas opções de modelo.
Longe de ser um limitador, a penetração ainda incipiente da tecnologia vem dando o tempo que as duas pontas do negócio precisam para desenvolver produtos, formatos, resolver problemas técnicos e sentir a demanda.
Nas Organizações Globo, diz Monteiro, o desafio é levar para a telinha do celular o mesmo padrão de qualidade que caracteriza as produções da emissora. “Exibir o vÃdeo de um gol, por exemplo, é uma tarefa muito mais complexa no celular do que na TV. O material tem de ter, no máximo, 30 segundos”. O trabalho de adequação envolve também aproximar, ao máximo, o usuário do objeto filmado, para evitar a dispersão da imagem na tela do celular, e alterar o som pois ” o áudio do celular não é o ideal para programação de TV”.
A Globo selecionou apenas alguns programas para testar o formato em telefonia celular – o musical Fama, o Big Brother, futebol e imagens de Carnaval. “Agora estamos estudando como contar uma história no celular. Pode ser uma novelinha própria, um minisseriado. Não sabemos ainda quando teremos esse produto, mas ele virá”.
Por enquanto, a programação disponÃvel para celular no Brasil é a mesma que a exibida nas telas de cinema ou nos aparelhos de televisão. Mas a criação de programas exclusivos para a nova mÃdia não está descartada. “Estamos estudando sim, mas é algo que demandará tempo. Precisamos ver quanto será necessário investir e a viabilidade econômica do novo serviço”, afirma o diretor de comunicação e interatividade da TV Bandeirantes, Milton Turolla.
O diretor de novos negócios do SBT, Rodrigo Marti, acredita que a maior demanda no mercado brasileiro será por serviços noticiosos. Mas a criação de conteúdo especÃfico para telefone celular não está descartada. “Quanto à programação ao vivo e em tempo real, nossa perspectiva é de que seja viável apenas quando o modelo de TV digital estiver em operação. Porque aÃ, os aparelhos, a exemplo do que já ocorre no Japão, estarão habilitados para captar o sinal de TV, o que vai agilizar a recepção das imagens e também melhorar a qualidade do material recebido”.
A Vivo começou seus testes em julho, quando foi lançado o Vivo Play 3G. “É a tecnologia que permite o envio de vÃdeos pelo celular. Algo como você por banda larga no seu telefone”, explica o gerente de conteúdos da empresa, André Mafra. Desde então, a Vivo coloca à disposição de seus assinantes uma versão reduzida do seriado “24 Horas”, da Fox.
Na versão para celular, a série é de “24 Minutos” e a operadora oferece um capÃtulo de um minuto por semana aos assinantes, que têem a opção de assistir o filminho na hora ou armazenar e ver quando quiser. “Entre julho e dezembro tivemos mais de 400 mil acessos”, afirma Mafra.
Por enquanto, diz ele, a Vivo não cobra nada pelo serviço pois o número de celulares com tecnologia adequada para recebê-lo é limitado e a operadora aproveita para testar a reação do consumidor. “Ela tem sido muito positiva. Acompanhamos de perto o que está ocorrendo em alguns paÃses europeus pois acreditamos que seja uma área com grande potencial”.
Os executivos da Claro também estão otimistas com o a função midiática do telefone celular. Atualmente a empresa oferece vÃdeos, também em caráter experimental, em dois formatos: programas como documentários, traillers de filmes ou boletins de notÃcias que o cliente recebe em seu aparelho e pode arquivar ou assistir na hora em que o conteúdo chega. A outra opção é o conteúdo ao vivo e em tempo real – tecnologia batizada de “streaming”.
Segundo André Andrade, gerente de serviços de valor agregado da Claro, de setembro de 2004 a outubro do ano passado, foram realizados 1,2 milhão de downloads de vÃdeos. A operadora não informa, porém, quantos acessos recebeu da programação ao vivo. “O volume ainda é muito baixo, até pela limitação tecnológica dos aparelhos”.
Alberto Blanco, diretor de marketing do Grupo Telemar, dona da operadora Oi, observa que mais de 100 novos vÃdeos foram oferecidos aos usuários ao longo de 2005 e que a empresa registrou 2,5 milhões de downloads no ano passado. “Essa é uma das mais promissoras fontes de receita para as operadoras. As pessoas não vão falar mais do que falam, mas podem usar mais o celular como fonte de entretenimento.”
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