RSS e as novas tendências em educação e tecnologia
Fonte do artigo: aqui, no IColetiva (outubro 2004)
Por Suzana Gutierrez
Há mais de um ano, venho cultivando um novo hábito e ampliando um outro já mais antigo. Antes de ler e responder e-mails, eu abro o Bloglines2, um aplicativo leitor3 de RSS4, e dedico uma meia hora a leitura de notÃcias nos canais que subscrevi. No espaço de tempo que daria apenas para passar os olhos num jornal tradicional, tenho a possibilidade de consultar o sumário de mais de cinqüenta sÃtios, weblogs5 e jornais on-line de todos os tipos, com a opção de aprofundar os conteúdos que me despertarem maior interesse.
Isso só é possÃvel graças ao desenvolvimento e popularização de uma tecnologia chamada RSS ou Rich Site Summary ou, ainda, Really Simple Syndication. Esta tecnologia foi desenvolvida originalmente para uso no navegador Netscape e, hoje, é adotada em publicações de notÃcias, weblogs e outros sÃtios. Sua popularidade deve-se a agilidade que confere a leitura dos conteúdos por dispensar o acesso ao sÃtio e, também, a relativa facilidade de sua inserção numa página ou weblog. Um outro motivo importante, é que é possÃvel implantar e utilizar esta tecnologia sem nenhum custo, tanto para leitura, quanto para disponibilização de um canal.
O RSS consiste num documento XML (Extensible Markup Language) ou RDF (Resource Description Framework)6 que captura informações – texto, imagem, som – de um sÃtio, que são visibilizadas por meio de aplicativos leitores como o Bloglines. O endereço deste documento é adicionado como um canal no aplicativo leitor e, imediatamente, ‘puxa’ os conteúdos do sÃtio.
O fato das informações serem em XML e não numa linguagem de publicação como o HTML (HyperText Markup Language), faz com que o RSS possa ser explorado sobre diversas formas: em leitores de navegadores, em PDAs (Personal Digital Assistant), telefones celulares, clientes de correio eletrônico, utilizando até áudio e vÃdeo.
Assim, por meio do RSS podem ser lidos conteúdos de sÃtios, de weblogs, de listas de discussão públicas. Podem ser indexados e acessados recursos educacionais de forma distribuÃda, formando uma rede de RSS, com maior abrangência e menor custo do que as formas que hoje vêm sendo utilizadas. Qualquer adição ou alteração no conteúdo do sÃtio será agregada e mostrada nos leitores de RSS.
SÃtios dinâmicos com conteúdos muito variáveis como os de últimas notÃcias, previsão do tempo, indicadores econômicos, programações culturais e esportivas e agendas diversas serão, facilmente, acompanhados por meio do RSS. Da mesma forma em que podemos ler o horóscopo ou a charge do dia, podemos acessar as imagens de câmeras de segurança. Por outro lado, o RSS auxilia, também, o acompanhamento de sÃtios com poucas, mas importantes, modificações, pois o leitor de notÃcias sinalizará qualquer alteração.
Combinando o formato weblog com o RSS, o que a maioria dos serviços de weblogs já proporciona, pode-se criar repositórios de recursos e objetos educacionais, verdadeiras bibliotecas digitais, que mostrarão, por meio dos agregadores, as últimas atualizações. Nesta perspectiva, utilizando o RSS e os leitores de notÃcias, acessamos a internet nos nossos termos, pois a escolha dos conteúdos fica em nossas mãos.
Voltando o olhar especificamente para a educação, as tecnologias da agregação e distribuição de conteúdo, como o RSS, possibilitam:
» Acessar e filtrar conteúdo educacional de forma rápida e otimizada.
» Indexar objetos educacionais hospedados de forma distribuÃda agregando-os em catálogos como, por exemplo, o MERLOT7.
» Gerenciar sÃtios, portfólios ou weblogs de alunos, listas de discussão e ambientes de aprendizagem diversos reunindo-os num só espaço.
» Agregar e distribuir informações de diversos weblogs formando um metablog colaborativo.
» A existência de ferramentas como o del.icio.us8, que é um gerenciador de links colaborativo, e do extip.icio.us, que constrói um mapa de interesse a partir dos links colecionados.
» Receber os resultados de pesquisas por nós criadas em mecanismos como o Google Alert ou o Blogdigger, que constantemente procuram assuntos por nós determinados e entregam os resultados diretamente em nosso leitor de conteúdo.
Num dos capÃtulos de minha dissertação de mestrado procurei construir um estudo bastante completo sobre as publicações dinâmicas, mais especificamente os weblogs e tecnologias associadas, como a da agregaçao e distribuição de conteúdo. No processo, procurei compreender, descrever e interpretar seu funcionamento, possibilidades e usos na educação. Abordei, também, o espantoso crescimento que a utilização destas tecnologias vem tendo em todos os espaços, inclusive no educacional. Mesmo havendo poucas iniciativas de estudo neste sentido no Brasil, já se nota alguma diferença na quantidade e na qualidade durante este último ano.
Penso que estas tecnologias terão um papel importante na educação nos próximos anos e espero que, com este texto, que aborda alguns tópicos deste assunto, eu possa ter motivado os colegas educadores a aprofundar seus estudos no tema.
Notas do texto:
1 Professora e Engenheira, Mestre em Educação PPGEDU/UFRGS. Professora do Colégio Militar de Porto Alegre. Pesquisadora do TRAMSE/UFRGS ( http://www.ufrgs.br/tramse). Contato: ssguti@terra.com.br ou http://www.ufrgs.br/tramse/gutierrez .
2 Todos os aplicativos e sÃtios citados estão nas referências. O Bloglines é um leitor de conteúdo baseado na web, que proporciona ler o conteúdo subscrito, utilizar filtros, publicar usando um blog e socializar nossas leituras. As minhas estão acessÃveis em .
3 Leitores de conteúdo, leitores de notÃcias, agregadores são expressões usadas para designar o aplicativo que possibilita ler páginas em formato RSS ou Atom.
4 Existem outros protocolos para a agregação de conteúdo além do RSS, por exemplo, o Atom, que é um formato aberto semelhante ao RSS.
5 Weblog ou blog é um tipo de publicação dinâmica na rede mundial de computadores.
6 XML e RDF são metalinguagens, usadas para definir outras linguagens de programação.
7 O MERLOT – Multimidia Educational Resource for Learning and Online Teaching é um catálogo de objetos educacionais. Para maiores informações consulte .
8 Pode ser interessante subscrever os links colecionados por especialistas em determinados assuntos. Para citar um exemplo conhecido, Howard Rheingold, conhecido autor de Comunidade Virtual e Smartmobs, socializa seus achados na web em .
Referências:
BLOGLINES. sÃtio. Redwood City, CA: Trustic Inc., 2004. DisponÃvel em . Acesso em 10 out 2004.
DEL.ICIO.US. sÃtio. Pittsburgh, PA: Joshua Schachter, 2004. DisponÃvel em . Acesso em 10 out 2004.
EXTIP.ICIO.US. sÃtio. Sussex, UK: Kevan Davis, 2004. DisponÃvel em . Acesso em 10 out 2004.
GOOGLE ALERT. sÃtio. Gibraltar, UK: Indigo Steam Technologies, 2004. DisponÃvel em . Acesso em 10 out 2004.
MERLOT Multimidia Educational Resource for Learning and Online Teaching. SÃtio. Long Beach, CA: MERLOT, 2004. DisponÃvel em < .>http://www.merlot.org/>. Acesso em 09 out 2004.
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Suzana Gutierrez é Professora e Engenheira, Mestre em Educação PPGEDU/UFRGS. Professora do Colégio Militar de Porto Alegre. Pesquisadora do TRAMSE/UFRGS ( http://www.ufrgs.br/tramse). Contato: ssguti@terra.com.br
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