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Mergulhadores localizam na Barra Sul destroços de embarcação do século XVI

10/06/09 · 2 comentários   

Mergulhador e âncora do século XVI. foto: Projeto Resgate Barra Sul

Muitas vezes a gente vê no National Geographic ou Discovery Channel e nem imagina que tem gente aqui do nosso ladinho, na Baía Sul, em Floripa, fazendo arqueologia subaquática, revelando o que pode ser o naufrágio mais antigo do Brasil.

A foto acima mostra um dos mergulhadores do Projeto Resgate Barra Sul ao lado de uma âncora de três metros de comprimento. Por seu formato e tamanho, a âncora deve ser do século XVI, provavelmente da nau de Sebastian Caboto, segundo os pesquisadores. O navegador veneziano esteve aqui em 1526 a serviço da Espanha, quando batizou nosso pedacinho de terra perdido no mar de “Ilha de Santa Catarina”.

Não é a toa que a ponta da Ilha, ali na Barra Sul, chama-se Ponta dos Naufragados. Juan Dias de Solis também perdeu sua embarcação ali, e ao todo há oito registros de naufrágios históricos no local. Segundo João Carlos Mosimann, no livro Porto dos Patos (2002, p. 14), “em 1753 duas embarcações naufragariam com 250 açorianos a bordo, com apenas 77 sobreviventes”.

O mergulhador do Projeto Resgate Barra Sul, Nei Mund Filho explica que quando os navios “adentravam a baía Sul, na Ilha de Santa Catarina, para se abastecerem de provisões, eram surpreendidos pela geografia acidentada do leito marinho e muitas vezes pegavam um inesperado vento Sul, e naufragavam”, relata, em release de Duda Hamilton e Beth Karam, da Dfato Comunicação, sobre o Projeto.

Confira a seguir o texto completo de Duda Hamilton, com informações sobre os achados do Projeto, o croqui do navio e sua disposição no fundo do mar e a necessidade de investimentos para que o Projeto Resgate Barra Sul possa continuar esse trabalho e descobrir exatamente a origem e a quem pertencia a embarcação.

Mergulhadores localizam destroços de embarcação do século XVI

Por Duda Hamilton e Beth Karam

Projeto Resgate Barra Sul encerra temporada de mergulhos com a finalização de um croqui completo da nau do século XVI localizada no Sul da Ilha de SC

Uma imensa montanha de cerca de oito metros de altura, formada ao longo de cerca de 500 anos com sedimentos do fundo do mar, encobre o que mergulhadores do Projeto Resgate Barra Sul acreditam ser uma nau do século XVI. Caso a hipótese se confirme, a embarcação localizada no litoral de Santa Catarina será o naufrágio mais antigo até agora no Brasil.

A identificação da estrutura do navio e sua disposição no fundo do mar não dá, por enquanto, mais indícios que possam assegurar exatamente a origem e a quem pertencia a embarcação. O que pode dar essa certeza é a continuidade das pesquisas, com a escavação da área para localizar mais peças e também ver o que se esconde na parte que está soterrada, abaixo do leito marinho. Essa continuidade, no entanto, depende de aporte financeiro e é a etapa que exige mais recursos.

Mergulhador e diretor do projeto Gabriel Corrêa tenta viabilizar, pelo menos, parte da verba. Para a próxima etapa, que é o aprofundamento da pesquisa para descobrir a origem e o nome do naufrágio, realizando escavações, localização do sino e do canhonete de bronze, Gabriel calcula que seja necessário um investimento de R$ 500 mil. “Estamos em contato com diversos agentes financiadores, inclusive com o governo da Espanha – que a princípio se mostrou interessado e estuda a possibilidade de participar do projeto com apoio técnico, enviando equipamentos e profissionais da área”.

“A arqueologia subaquática é cara e demorada. Exige equipamentos bem mais sofisticados, como sonares, eco-sonda, radar, canetas e cadernetas especiais, entre outros. Se num sítio arqueológico na terra a gente escava com uma pá, na arqueologia subaquática é necessário um sugador para retirar os sedimentos e levá-los para a superfície”, ressalta a arqueóloga Deisi Scunderlick Eloy de Farias, consultora do projeto e responsável pelo laboratório de Arqueologia da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) que deverá fazer a curadoria das peças.

No ano passado a pesquisa recebeu recursos da Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina (FAPESC), o que garantiu a utilização de equipamentos de última geração, como radares, sonares, GPS que facilitam o planejamento dos mergulhos, tornando-os mais eficazes. Com esse auxílio, eles conseguiram avançar nas pesquisas e localizaram mais duas âncoras, pedras de lastro, cacos de cerâmica, um canhão e todos os pontos que indicam metais e dão idéia da estrutura da embarcação.

Como as condições de mergulho na Ilha de Santa Catarina são melhores entre os meses de março a maio, a temporada deste ano de pesquisa no fundo do mar praticamente se encerrou. A partir de agora, as pesquisas voltam-se para estudos históricos e arqueológicos que auxiliem na identificação das peças encontradas, como o canhão, a âncora, pedaços de cerâmica, vasos, etc.

As pesquisas

O Projeto Resgate Barra Sul realiza estudos na região desde 2005, ano em que Gabriel Corrêa localizou por acaso uma âncora que lhe chamou a atenção pelo tamanho e forma diferente das atuais. A partir daí, o projeto foi formado e possui licença da Marinha para pesquisa e exploração em 400 quilômetros quadrados da Barra Sul, entre as praias de Naufragados, dos Papagaios e do Sonho.

Essa região é considerada um cemitério de navios e, entre as mais importantes embarcações que provavelmente naufragaram nas imediações, estão as de dois famosos aventureiros dos livros de história: Juan Dias Solis, em 1516, e Sebastian Caboto, em 1526. Mas muitos outros navios também encontraram ali o seu fim. Nos registros históricos, há oito.

Isso porque a ilha era um ponto estratégico de abastecimento para os navegadores que serviam aos reinos de diversos países europeus e seguiam rumo ao Rio da Prata. “Quando eles adentravam a baía Sul, na Ilha de Santa Catarina, para se abastecerem de provisões, eram surpreendidos pela geografia acidentada do leito marinho e muitas vezes pegavam um inesperado vento Sul, e naufragavam”, relata outro mergulhador da equipe, Nei Mund Filho.

“Pelo tamanho e formato da âncora acreditamos que é de uma nau do século XVI”, afirma Gabriel Corrêa. As dúvidas são se ela pertence mesmo a Sebastian Caboto, uma das hipóteses mais viáveis, acrescenta Corrêa.

Depois do primeiro achado, o projeto localizou possíveis três naufrágios – além deste que pode ser de Sebastian Caboto, um outro também antigo e um recente, de cerca de 100 anos. Mas as pesquisas concentraram-se no primeiro, para buscar mais vestígios materiais e determinar melhor sua identidade.

Em uma etapa posterior, as peças encontradas serão removidas do mar, dessalinizadas e restauradas. “A idéia do projeto é que após a restauração os achados sejam direcionados à Marinha e ao IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional), para colocação futura em um museu – ou, então, deixar no próprio local e transformar essa parte do fundo do mar em um imenso museu aquático”, diz Corrêa.

O croqui

Croqui de Naufrágio na Barra Sul - Projeto Resgate Barra Sul

No desenho acima, que mostra a parte aflorada da nau, as partes que estão em diferentes tons de cinza são as formações que foram sendo sedimentadas ao longo desses quase 500 anos que a nau está no fundo do mar. Foram crescendo com o tempo, inclusive já apresentando vegetação. Já os pontos vermelhos indicam os locais exatos onde os equipamentos indicaram a presença de metais, ou seja, restos da embarcação. Palmilhando toda a área, os mergulhadores conseguiram perfazer o provável contorno da nau, com cerca de 30 metros de comprimento.

A parte não aflorada ainda é uma incógnita e só quando começarem os trabalhos de escavações é que se poderá saber o que está soterrado sob o leito marinho. A âncora assinalada é uma das três localizadas, com três metros de comprimento. As outras duas encontram-se a 270 metros de distância, em pontos isolados – uma de três e outra de quatro metros. O canhão, quase ao centro, está na parte mais alta do sedimento, a 5 metros de profundidade.

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2 comentários até agora ↓

  • 1 Odontoquality // 1,04,10 às 12:37 pm

    Olá! Muito legal este post! Realmente, nossa ilha é cheia de magia e belezas ainda não conhecidas. Muitas vezes, viajamos para outros locais procurando tudo aquilo que já temos aqui! Vamos apreciar nossa terra que é maravilhosa!

  • 2 Verônica // 4,10,11 às 1:38 pm

    Olá

    A descoberta desse naufrágio é uma grande riqueza para nosso país e seus pesquisadores, o projeto resgate Barra Sul é uma ótima iniciativa para os profissionais e para promover a pratica do mergulho trazendo mais interesse da população para a prática tanto do esporte quando do estudo.

    Abraços,
    Verônica
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