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Desmatamento e florestas na Ilha de Santa Catarina

13/11/07 · 1 comentário   

Lagoa do Peri - FloripaQuando olhamos para as matas remanescentes em Floripa, a impressão mais comum é de que se tratam de florestas preservadas há muito tempo. Mas não são. Praticamente tudo isso que hoje representa 41% da cobertura original da Mata Atlântica, regenerou-se nas últimas cinco ou seis décadas.

O desmatamento — bem contado no livro O desmatamento da Ilha de Santa Catarina de 1500 aos dias atuais — começou quando os primeiros navegadores, lá no século XVI, paravam aqui para pegar madeira a fim de arrumarem seus navios. Já a partir de 1748, com a chegada dos colonos açorianos, por cerca de 200 anos a floresta foi sendo dizimada, dando lugar a pastagens e plantações. Ninguém sabia o que era ecologia, meio ambiente e os colonos precisavam sobreviver. Mas, felizmente, o modo de vida na Ilha mudou e as florestas puderam crescer novamente.

Com a decadência da economia baseada na exportação de farinha de mandioca e outros gêneros alimentícios, a floresta foi aos poucos conseguindo se recuperar. O artigo “História e situação atual da floresta na Ilha de Santa Catarina“, de Mauro Manoel da Costa (publicado no começo do Boletim Ambiente Meimbipe) resume bem como estão as florestas hoje na Ilha:

“Do Maciço da Costeira até o extremo norte da Ilha, onde a floresta não sucumbiu totalmente, as principais espécies de árvores (canela-preta, sassafrás, peroba, cedro, pau-óleo, etc) foram praticamente extintas, restando uma cobertura florestal empobrecida e desestruturada. Quanto mais ao norte, mais pobre fica a floresta.

No sul da Ilha, como no restante, há em suas encostas uma colcha de retalhos, com vegetação em todas as etapas de sucessão (ervas, capoeirinha, capoeira, capoeirão, mata secundária). Entretanto, exceto por um pequeno fragmento no Maciço da Costeira, esta região se diferencia do restante da floresta da Ilha por conter áreas de floresta onde o extrativismo foi menos intenso e por guardar, como um tesouro natural, um fragmento de floresta primária provavelmente sem extrativismo de madeira, no interior do Parque Municipal da Lagoa do Peri. A constatação desse remanescente primitivo, com árvores centenárias de diversas espécies e com a dominância da canela-preta (Ocotea catharinensis), amplia a importância do Parque e enriquece o mapa fito-geográfico da Ilha.

Mauro finaliza o artigo enfatizando a urgência em repovoar nossas matas nativas:

“Compreender a história do desmatamento da Ilha implica não só em conservar nossa floresta, mas na necessidade urgente de repovoá-la com as espécies mais exploradas historicamente e de interligar os fragmentos florestais remanescestes, reestruturando e aumentando sua biodiversidade, o que é fundamental para abrigo da fauna silvestre, proteção do solo e integridade das nascentes, entre outros benefícios”.

Fica no ar a seguinte pergunta: se em mais ou menos 50 anos aconteceu a recuperação das florestas que temos hoje em Floripa, o que nos espera nos próximos 50 anos? Mais e melhores florestas ou…

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1 comentário até agora ↓

  • 1 Cunha Otávio // 27,11,08 às 12:54 am

    Talvez em novembro a gente possa comentar melhor assistindo a tv…;-)

Diz aí...